A cidade que habitamos não é aquela que realmente merecemos. Diria que essa constatação vem me perseguindo insistentemente durante as minhas idas e vindas pelas vias congestionadas dessa cidade, bem como pela observação sistêmica da ordenação espacial daquilo que entendemos por urbano. Deveria ser diferente.

Ao pensar numa cidade para se viver, não me restrinjo ao plano da idealização, mas sim das possibilidades, em que o almejado “progresso” não seja tão somente baseado no improviso e nas soluções imediatas. Penso numa cidade menos segregadora, mais articulada e inclusiva, e isso, via expansão maciça de infraestrutura básica necessária a uma vida pelo menos mais decente e justa para a maioria das pessoas.

Que os planos paisagísticos recheados de muito verde não fiquem restritos aos “enclaves fortificados” que pipocam por toda cidade e que se justificam pela crônica sensação de insegurança e pela ideia de que o perigo está em toda parte. Que a arte se faça presente, nem que seja pelo “marginal” na calada da noite, e não seja relegada a segundo plano, ofuscada pelas propagandas ofensivas de cunho massificador.

Uma cidade não só como meio, mas como espaço do estar, do compartilhar cotidianidades que coexistem. A prerrogativa dessas possibilidades se sustenta na premissa de que tudo que foi feito pelo homem, também pode ser refeito. Não aceitamos imposições de limites pra esse “refazer”.

Fabio Crepaldi

Cidade para viver

Opinião

Em balanço apresentado pelo Ministério da Justiça apontou um aumento das ações da Polícia Federal contra a corrupção no país em várias frentes, do número de operações realizadas ao cumprimento de mandados de prisão. O resultado é animador, reforçando o desempenho de uma corporação que, depois de uma sucessão de iniciativas espetaculares, marcadas pelo excesso de exposição de investigadores e investigados, passou a recorrer a avanços tecnológicos para aprofundar as apurações e a discrição em torno delas. Por mais que o saldo seja animador para a sociedade, que aprendeu a valorizar o trabalho desta instituição, o fato é que a corrupção resiste. O descontrole mostra a importância da repressão, mas também que o país deve aperfeiçoar os mecanismos de prevenção. Ao mesmo tempo, precisa criar condições para punir corruptos e corruptores, que tentam passar a ideia de que esse é um crime impossível de ser punido.

Mesmo quando corruptos são pilhados falando em código sobre questões envolvendo negócios privados com o poder público ou guardando maços de dinheiro na bolsa e na roupa íntima, a reação raramente vai além de uma onda de indignação. O problema é que, a partir daí, nada acontece. O caso do Distrito Federal é exemplar: os integrantes da Câmara Distrital, muitos deles envolvidos no escândalo, simplesmente saíram de férias sem examinar os pedidos de impeachment do governador.  Nos cálculos da Associação dos Magistrados Brasileiros, só 1% dos processos contra políticos resulta em condenação – percentual inaceitável, se forem levados em conta os valores desviados.

Punição para os corruptos

Editorial

fabio@aarte.com.br

 

Ambientalista, Empresário, Publicitário, Jornalista e Gráfico

Pós-Graduado em Gestão Empresarial pelo IMES.

Pós-Graduado em Qualidade e Produtividade pelo SENAI.

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